O tempo não pára nem vai esperar.  escrito em quarta 05 maio 2010 18:56

Vento de maio
Rainha de raio
Estrela cadente
Chegou de repente
O fim da viagem

Agora já não dá mais
Pra voltar atrás
Rainha de maio
Valeu o teu pique
Apenas para chover
No meu piquenique
Assim meu sapato
Coberto de barro
Apenas pra não parar
Nem voltar atrás

Chegou de repente
O fim da viagem
Agora já não dá mais

Vento de raio
Rainha de maio
Estrela cadente
Chegou de repente

O fim da viagem
Agora já não dá mais
Pra voltar atrás
Rainha de maio
Valeu o teu pique
Apenas para chover
No meu piquenique

Assim meu sapato
Coberto de barro
Apenas pra não parar
Nem voltar atrás
Rainha de maio
Valeu o teu pique
Apenas para chover

E se eu escuto no rádio do carro
A nossa canção Sol, girassol E meus olhos abertos
Pra outra emoção
E quase que eu me esqueci
Que o tempo não pára
Nem vai esperar

Vento de maio
Rainha dos raios de sol
Vá no teu pique Estrela cadente
E até nunca mais
Não te maltrates
Nem tente voltar
O que não tem mais vez
Nem lembro o teu nome
Nem sei Estrela qualquer
Lá no fundo do mar
Vento de maio
Rainha dos raios de sol

 

Vento de Maio - Telo Borges e Márcio Borges

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Proteção  (particular) escrito em quarta 31 março 2010 20:14

Blog de caminhandoarte :Universo: particular e coletivo, Proteção

Muitas coisas ficaram presas sem eu poder dizer

Algumas lágrimas caídas

Mas muitos e muitos sorrisos...

Novos desafios

Novas esperanças

Velhas angústias e dúvidas ainda sem resposta

Sempre uma nova porta

Uma janela aberta com uma nova paisagem

Comigo sempre a minha pesada e leve bagagem

E a presença constante da luz de Deus me amparando.

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Leve  (particular) escrito em segunda 01 fevereiro 2010 15:03

Blog de caminhandoarte :Universo: particular e coletivo, Leve

Leve como o ar

alegre

balançando a rabiola

do menino no céu.

Leve como o orvalho

brilhante

na folhinha verde

da planta no meu quintal.

Leve como o cabelo

vibrando

acompanhando o gargalhar

da boca da menina.

Leve por poder estar feliz

apesar dos pesares do mundo.

 

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Haiti  (coletivo) escrito em quinta 14 janeiro 2010 13:34

Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Quando você for convidado pra subir no adro

Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

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O novo  (particular) escrito em segunda 04 janeiro 2010 16:20

Blog de caminhandoarte :Universo: particular e coletivo, O novo

O que me espera

Agora

Na virada da esquina?

Com quem eu vou

O que eu levo

Será que vou gostar?

Cadê a mãe

Pra eu perguntar

“Será que vai chover?”

O guarda chuva

Nem sempre serve

Conforme a força das águas.

 

Quero ver o mar

E me calar

Com sua voz

Quero caminhar

Sem me apressar

E sem correr do algoz

Quero enfrentar

O que me dá medo

Transformar o desprezo

Em amor e carinho

Quero expandir meu ninho

Vazio

Mas terno

Tenro e tímido.

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